
Ela pensa em suicídio.Ela acorda,levanta,se arruma e pensa em suicídio. Ela sai,mas seu pensamento persiste. Ela está em beira à um gigantesco abismo, à um finco de desabar e colidir freneticamente com o chão. As lágrimas já não são suficientes e páreas para tudo o que a cerca,cada coisa que a desaba,destrói,dilacera. Ela está impotente e totalmente imune À qualquer tentativa de ficar bem. Uma oscilação frequente da realidade. Não é capaz de acreditar novamente, não agora, não depois de tudo. Como se estivesse sendo sugada para um extenso buraco negro, não se sente pronta. Ela nunca esteve e nunca estará. É um fracasso ambulante, uma ocupação inútil do espaço da Terra, um obstáculo, uma perda de tempo contínua. Pra que iria querer viver? Ela é um poço de insatisfação e infelicidade, só um motivo de esquivar e atrapalhar a vida das pessoas. Ela deseja morrer. Deseja mais que qualquer outra coisa. É o melhor a se fazer.Seu coração, essa pequena e frágil caixa de sentimentos, está estraçalhada e estilhaçada. O amor e a felicidade, há muito tempo, lá, já não habitam. Se esvaíram e levaram com elas sua vontade de tentar e permanecer firme. Evaporaram, corroeram por inteiro, e agora, só resta obscuridão, tristeza, culpa, opressão.Ela se tranca de tal forma que ninguém percebe. Acorrentada,presa, omitida. Os pensamentos à oprimem e assombram, mas cansou de se render. Está pronta, finalmente, para recomeçar. Tira do fundo da gaveta, uma lâmina uma passagem para nova vida, um universo paralelo à espera. Pega e arrasta sobre seus pulsos. sangue. Sangue que lava a alma e retira as preocupações. Sangue que rola lentamente pelo braço,pingando no chão. Minuciosamente, ela se entrega. Se entrega para o que quer que o destino tenha preparado para ela. Se entrega totalmente,e padece sonhando em quando aquele tormento se cessará.